Uma investigação do Citizen Lab revelou que autoridades quenianas utilizaram uma ferramenta de extração forense da empresa israelense Cellebrite para acessar o telefone de Boniface Mwangi, um ativista pró-democracia do Quênia. O incidente ocorreu enquanto o dispositivo estava sob custódia policial, após a prisão de Mwangi em julho de 2025. O telefone foi devolvido em setembro, sem proteção por senha, permitindo acesso irrestrito.
O Citizen Lab, vinculado à Universidade de Toronto, encontrou indícios de que a tecnologia da Cellebrite foi usada no dispositivo de Mwangi em 20 e 21 de julho de 2025. A ferramenta pode ter possibilitado a extração completa de dados pessoais, incluindo mensagens e informações financeiras. Mwangi, que pretende concorrer à presidência em 2027, teve seu telefone desbloqueado sem senha após a devolução.
Este não é um caso isolado. Relatórios anteriores indicam que autoridades na Jordânia também usaram ferramentas da Cellebrite para acessar dados de ativistas e defensores dos direitos humanos entre 2023 e 2025. Os dispositivos foram apreendidos durante detenções e interrogatórios, sendo posteriormente devolvidos aos donos.
Em resposta às descobertas, um porta-voz da Cellebrite afirmou que a tecnologia é utilizada para acessar dados privados apenas em conformidade com processos legais ou com consentimento apropriado, visando auxiliar investigações legais.
Paralelamente, a Anistia Internacional relatou que o jornalista angolano Teixeira Cândido foi alvo do spyware Predator, desenvolvido pela Intellexa. O ataque ocorreu em maio de 2024, após Cândido abrir um link malicioso no WhatsApp. O spyware foi removido após a reinicialização do dispositivo, mas tentativas de reinfecção continuaram até junho de 2024.
Fonte:https://thehackernews.com/2026/02/citizen-lab-finds-cellebrite-tool-used.html


